Considero José Luís Carneiro uma pessoa íntegra, educada e competente, perfil que já lhe reconhecia antes de assumir funções como Secretário-Geral do Partido Socialista. Não obstante, observo uma nítida mudança de postura, com uma aproximação progressiva à ala mais à esquerda do partido, assemelhando-se ao posicionamento radical de Pedro Nuno dos Santos.
O desafio das personalidades moderadas na política reside no facto de que, ao alcançarem lugares de poder e decisão, tornam-se dependentes de apoios internos. Frequentemente, vêem-se compelidas a alinhar-se com determinadas correntes sob pena de comprometerem a sua sobrevivência política. Também José Luís Carneiro dá todos os sinais de não conseguir livar-se dessa teia.
É lamentável, mas parece-me que este percurso repete a estratégia que conduziu o PS à condição de terceira força parlamentar. O eleitorado ditará o desfecho, talvez quando o presidente Seguro quiser, mesmo já tendo dito que não quer.
Se, por um lado, o Governo tem acumulado erros estratégicos, com alguns tiros nos pés, por outro, não se afigura que o PS, sob a liderança desta nova versão de Carneiro, represente uma boa alternativa e o retorno à normalidade, seja lá o que isso for.
Neste contexto, agravado pelos efeitos das tempestades e das guerras, actualmente, tanto o PSD como o PS parecem estar a colocar-se a jeito. O grande-líder do basqueirismo, agradece.
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