29 junho, 2026

Vive-se bem, claro que sim.

Valorizo imenso os festivais de música. É genuíno! Não pelo motivo que a maioria possa pensar, claro. Mesmo que me oferecessem um passe VIP com direito a hotel de cinco estrelas e comes-e-bebes à borlix, continuaria a recusar misturar-me com a manada no meio do pó e da confusão. O meu interesse é puramente sociológico: encaro os festivais como um fiável indicador da qualidade de vida dos portugueses.

De facto, muito mais do que os relatórios cinzentos do INE, eventos como o Rock in Rio e congéneres mostram-nos a verdadeira face da nação: um país radiante, devoto da farra, onde toda a gente vive desafogadamente. Ali, naquelas molduras humanas, evaporam-se num passe de mágica os problemas do desemprego, as crises da habitação (sejam rendas caras ou baratas) e as dificuldades em pagar as propinas. Aparentemente, os inconvenientes da inflação e os preços dos combustíveis são meros mitos urbanos.

Ou seja, ao olhar para aqueles milhares de devotos consumidores, percebe-se imediatamente que o país afinal respira saúde financeira. Toda aquela choradeira habitual sobre o custo de vida, os empregos precários e os salários de miséria não passa de farsa, pura encenação e a prova provada de que "quem não chora, não mama". Portugal está, de facto, uma maravilha e recomenda-se. Posto isto, acho que devia haver mais festivais; afinal, o que não falta por aí é gente abastada para encher os recintos.

28 junho, 2026

Pragmatismo e careca pensadora

Num jogo de futebol, quando o melhor em campo é o guarda-redes, fica mais ou menos tudo dito sobre quem esteve por cima. Parece que foi assim no Colômbia - Portugal desta madrugada. Apesar disso o espanhol de careca luzidia, ficou satisfeito e disse que isso foi bom, porque ajuda a equipa a preparar-se para defender. Porreiro!

Com tudo isto, ficarei contente por cada vitória da nossa selecção? Sim! Ficarei triste pela derrota? Não! Porquê? Por uma questão de pragmatismo e relatividade que merece o futebol. Antes uma derrota que uma dor de dentes.

25 junho, 2026

Em contra-mão

O Mundial de Futebol 2026 avança para o final da fase de grupos e ainda não vi um único jogo. Apenas um ou outro resumo e de Portugal, talvez uns 15 minutos. Não fosse a imprensa, rádio e televisão andarem entupidos com o evento, e nem daria pela coisa.

Sei que estou em contra-mão. Esta coisa de relativizar o futebol e seus faits divers, dar-lhe apenas a importância que merece no contexto das dezenas de coisas bem mais importantes na vida, já não está na moda. Quem caminha sozinho neste sentido arrisca-se a ser atropelado pela manada que avança firme e compacta em sentido contrário. Ai de quem bufe contra Ronaldo e companhia...

É a vida!

16 junho, 2026

Milhões em palco à conta dos contribuintes

A despesa do poder local com a contratação de artistas e entretenimento é um dos temas pouco debatidos na opinião pública portuguesa, apesar da importância que deveria ter no contexto da definição das prioridades orçamentais das autarquias.

Todos os anos, com a chegada das festas concelhias, das romarias e dos festivais de verão, as praças e avenidas de Portugal, desde a mais remota aldeia à maior cidade, enchem-se de luz, música e multidões. Para os munícipes, traduz-se em momentos de lazer e acesso na maior parte das vezes gratuito à cultura; para o erário público, porém, o cenário representa um investimento de milhões de euros por parte do poder local, como quem diz, dos contribuintes.

A linha que separa o investimento na dinamização económica e turística de um concelho do gasto supérfluo em "pão e circo" é historicamente ténue. Enquanto muitas autarquias justificam estes eventos com o retorno financeiro para o comércio e restauração locais, críticos e analistas apontam frequentemente para a opacidade e para o volume astronómico de recursos financeiros canalizados para o entretenimento, de forma efémera, muitas vezes em detrimento de infraestruturas básicas, habitação ou coesão social.

Num mercado altamente centralizado, onde escasseiam os concursos públicos e imperam os ajustes directos por "exclusividade artística", uma mão cheia de agências de representação e produção concentra grande parte dos contratos adjudicados pelas Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia.

Para compreender a verdadeira dimensão deste ecossistema financeiro, analisámos os dados oficiais do Portal BASE relativos a uma das entidades mais activas no setor do agenciamento e produção de espetáculos: a ICONIKOURAGE UNIPESSOAL LDA. Os números revelam o raio de acção de uma única empresa no universo da administração local ao longo de um período de sete anos. Outras haverá e a estes gastos somam-se, de modo generalizado as iluminações natalícias que também abrangem todo o país e que ainda recentemente geraram acção do ministério público devido a ilegalidades e esquemas manhosos nos processos de contratação de fornecedores.

Entre abril de 2019 e junho de 2026, esta única estrutura empresarial. a  ICONIKOURAGE, garantiu um encaixe financeiro global de 6 289 394,91 € (valor sem IVA) em contratos públicos.

Este montante foi pulverizado por um universo de 77 entidades adjudicantes únicas, evidenciando uma forte capilaridade no território nacional: 60 Municípios distintos e 11 Juntas de Freguesia recorreram aos seus serviços para rechear os respectivos programas de entretenimento.

Confirmando a tendência deste mercado, a esmagadora maioria das adjudicações foi realizada sem concorrência pública: 89,5% do valor total foi contratado através de Ajuste Dirceto ou Consulta Prévia, com destaque para eventos de grande envergadura como o Palco 1 da EXPOFACIC (282 600,00 €) ou o Varosa Fest (199 980,00 €).

Assim se estoura dinheiro tão necessário para situações mais urgentes e que melhor poderiam contribuir para a qualidade de arruamentos, equipamentos públicos e investimentos duradouros, etc. Certamente o entretenimento e a cultura, seja lá de que modo isso é interpretado, são importantes, mas quando há necessidades mais prementes, é legítimo questionar estes gastos à tripa farra tão do agrado dos autarcas porque o "circo e pão" sempre foram populares e rendem votos. 

Os defensores deste gastar à "tripa farra" argumentarão que todos esses eventos geram retorno económico para os locais. Certamente que sim, algum, mas quase sempre para beneficiários muito restritos porque sempre mais abundantemente bebeu quem está perto da fonte. No geral, a larga maioria dos contribuintes, mesmo os que não usufruiem dos eventos, nada ganham. É pois, um falso argumento para além de que esse retorno económico raramente se converte em vantagem colectiva, a favor do bem público.

Assim sendo, continuarão a facturar, e bem, empresas como a ICONIKOURAGE e outras. É pois, um bom mercado, este ligado ao entretenimento pago pelas autarquias.

12 junho, 2026

A última coca-cola no deserto

Tivesse eu, meios e poder, porque quem tem este tem aqueles, e seria agora, em todo o tempo que vai decorrer o Mundial de Futebol, que rumaria para uma ilha deserta, ou pelo menos para um lugar onde não fosse possível chegar as notícias e todo o frenesim mediático à volta dos príncipes e reis do chuto na bola.  Para os que, como eu,  literal e metaforicamente se estão "borrifandoo" para esta cena do Mundial, todo este período será uma espécie de massacre, pois em tudo quanto é imprensa, escrita. falada e visual, vai haver palco a todo o momento, no antes, durante e depois. Adeptos, jogadores, técnicos e comentaristas, vão falar de um jogo como especialistas em foguetões e mísseis hipersónicos. Como se não bastasse, o comércio surfa a onda e por estes dias não há espaço que não tenha referências ao torneio.

Posto isto, se me perguntam se desejo que Portugal vença a prova? Claro que sim, mas em bom rigor isso em nada mudará a minha vida e feitas as contas no final nem mais um cêntimo no bolso. Já aquela malta, os príncipes e os reis e o espanhol, certamente somarão mais uns valentes milhares, mesmo que no geral seja acrescentar 20 litros de água às suas piscinas olímpicas.

Continuo a gostar de futebol mas já sem a pachorra para os aspectos que o tornam enfadonho e com a excessiva importância que lhe dão como se a última coca-cola fresquinha no meio do deserto. 

Dispenso os preliminares, bastando-me saber o resultado.

03 junho, 2026

Os ayatollahs do sindicalismo

Quando vejo uma imagem com praia e palmeiras e belas mulheres em mini biquini, associo a coisa a paraísos tropicais; Quando observo um urso polar em cima de um bloco de gelo à espera da foca sinto um frio de rachar, assim como quando a fotografia mostra um vulcão em erupção, a cuspir lava e cinzas, cheira-me a ovos podres e sinto um calor a queimar. 

Esta associação é natural, involuntária e ocorre em muitas outras coisas, como aromas que nos despertam sensações e outras imagens que nos remetem para outras memórias, boas ou más. 

Neste contexto, e tenho a certeza que são todos boas pessoas e chefes de família, mesmo que já tenha dúvidas se são realmente trabalhadores embora digam que os defendem, mas empre que vejo dirigentes da CGTP-IN, e tempo de antenas não lhes é negada pela imprensa e televisões, remetem-me para aquelas intervenções inflamadas e fundamentalistas dos ayatollahs do Irão e seus comparsas dirigentes terroristas do Hamas, Ezbollah e Houthis. Bem que tento repudiar a imagem, porque é exagerada, mas realmente assim é

Por conseguinte, passe o exagero e a imagem que me suscitam, mas vejo ali naqueles dirigentes muito do fundamentalismo e carreirismo. Creio que em muito, esses dirigentes não querem defender os interesses dos trabalhadores do sector público,  porque esses sempre tiverem no nosso regime o queijo e a faca na mão e não perdem uma oportunidade de fazer gazeta, se possível, e quase sempre, à sexta-feira ou na véspera de feriado semanal. Não! O que eles defendem é a sua própria existência como dirigentes e facção política de uma esquerda caduca e em vias de extinção. 

Odeiam por necessidade a evolução e acompanhamento do tempo e da sociedade incluindo o mundo do trabalho e emprego. De resto, basta analisar o historial desta seita sindical para perceber que quase nunca se puseram de acordo com as demais partes dos ditos parceiros sociais, como se o mundo do trabalho seja só trabalhadores e os empresários sejam os bandidos. Por eles, a CGTP-IN, o trabalho ainda estaria regulado pelos cânones da União Soviética. Não estando, seguem a linha do terrorismo grevista, marcando greves, parciais ou gerais, como quem envia rockets e mísseis.

29 maio, 2026

Cabalas e conspirações

João Soares, essa figura grada do pensamento socialista, ou não fosse filho de quem é, aos desenvolvimentos da operação do Ministério Público e Polícia Judiciária, tendo como alvo pessoas ligadas ao Partido Socialista,  considerou que "não cheira nada bem", escreveu na rede social Facebook. "Parece-me claramente ter uma orientação política, inaceitável", considerou. E questionou: "A que título buscas na sede de um partido contra o qual não há acusações?". Defendeu ainda que o seu partido "não é um bando de malfeitores". "Pelo contrário, é o grande partido da liberdade e do diálogo democrático em Portugal", sublinhou. "Ainda por cima com o mau gosto de tudo ser feito a 28 de maio, no centésimo aniversário do golpe que instaurou a ditadura em Portugal. O que é também de muito mau gosto", atirou.

Em resumo, para João Soares, tudo isto é uma cabala com uma orientação política. Claro que apresentar provas dessa teoria, zero, bola.

Posto isto, dizer que estas coisas não acontecem só a gente ligada ao PS mas a todos os outros partidos, porque o cheiro pelo dinheiro fácil, favorecimentos e tudo o mais que caracteriza actos de corrupção, é transversal e tenta a todos.

Como se costuma dizer, "pimenta no cu dos outros no nosso é refresco". Ora quando casos similares atingem outros partidos, o PS surfa  a onda em todos os mares, como donos exclusivos da moral, dos bons costumes e da legalidade a toda a prova. Mas como agora o fogo alastra gomo gasolina em palha seca na casa do Largo do Rato, aqui del-rei que há uma cabala, uma conspiração, logo no 28 de Maio.

Mesmo que sem qualquer ligação, convém não esquecer os impactos do caso de José Sócrates e do caso Influencer. Começa a ser muita fruta ácida para o PS ter de digerir. Fazê-lo com reações como a de João Soares, não ajuda.

Em suma, reacções patéticas e comezinhas, que já não colhem a quem tem dois dedos de testa e não se servem dela para comer gelados. 

22 maio, 2026

Basqueiro, palco e antena

E pronto! Missão cumprida! Os dois ditos activistas portugueses que integravam uma coisa chamada flotilha, conforme por eles previsto e programado, foram detidos pelas autoridades de segurança de Israel. Já foram devolvidos à procedência. Espero que a devolução não tenha sido à custa dos contribuintes, mas desconfio que sim.

Quanto ao resto, tiveram o seu momento de glória e todo o espaço de antena que pretendiam. Queixaram-se das condições da recepção, sem passadeira vermelha, bolo e espumante, mas se assim não fosse, que piada tinha?

Por mim, dada a irrelevância da coisa e dos artistas, espanta-me que ainda se continue a dar palco e tempo de antena a esta gente. Mas, o rato quando sabe onde há queijo, não resiste.

Quanto às queixas de maus tratos, creio que estes ficaram em défice. Já sabiam ao que íam, logo gostaram.  Afinal é velhinha a sentença de que quem anda à chuva molha-se! E não tinham qualquer necessidade de o fazer pois o seu protagonismo e basqueiro que produzem vale zero ao quadrado. Apenas show off. Se querem realmente ajudar, podem ir combater pela Ucrânia contra o invasor Rússia.

06 maio, 2026

Pois, pois, serviço público e coisa e tal

Atentos ao estudo recente da Universidade do Minho, a que a imprensa tem dado eco, que rastreou o percurso de 113 antigos presidentes de câmara após a cessação das suas funções no ano passado, revela dados esclarecedores sobre a simbiose entre o poder político e a sobrevivência profissional em Portugal. A conclusão principal é inequívoca: a "regressão" à vida civil e à profissão anterior é a excepção, e não a regra. De facto, apenas 15 destes antigos autarcas retomaram as carreiras que tinham antes de entrar na política.

Os números detalham uma trajectória de continuidade dentro das estruturas do Estado. Cerca de dois terços dos ex-presidentes (66%) ocupam agora novas posições na esfera pública. Entre os 75 autarcas que se mantiveram ligados ao erário público, 25 transitaram para a Administração Pública,  incluindo direcções regionais, institutos públicos, universidades e fundações, enquanto 23 permaneceram no poder local, embora em municípios vizinhos ou em cargos de oposição. A rede de influências estende-se ainda ao poder central: 20 integraram o Parlamento Nacional, dois tornaram-se deputados regionais e cinco ocupam cargos no Governo. 

No restante espectro, nove optaram pela aposentação, seis transitaram para o sector privado e cinco seguiram para o Parlamento Europeu. Há ainda registo de três indivíduos em associações de cariz público ou privado.

Estes dados impõem uma reflexão necessária sobre a natureza do exercício do poder local. A narrativa oficial da política é, quase invariavelmente, pautada pelo "espírito de missão" e pelo desejo altruísta de servir a comunidade. Contudo, a estatística sugere uma realidade mais pragmática: a política transformou-se numa carreira altamente profissionalizada e num ecossistema de proteção mútua. Cargos no Poder Local são quase sempre elevadores para cargos superiores.

Quando apenas 13% dos autarcas regressam ao seu emprego de origem, torna-se evidente que o cargo de presidente de câmara não é encarado como um parêntese na vida profissional, mas sim como um activo estratégico. Para muitos, a passagem pela autarquia serve para consolidar uma rede de contactos e influências que garante a ocupação de cargos de nomeação em institutos, fundações e organismos estatais onde o mérito técnico é, frequentemente, secundarizado pela lealdade partidária.

Ninguém entra para cargos de tamanha responsabilidade apenas para servir o próximo. Existe uma legítima, embora raramente admitida, preocupação com o "dia seguinte". O problema reside na criação de uma classe política que se torna dependente do Estado para a sua subsistência, o que levanta questões éticas profundas: até que ponto as decisões tomadas durante um mandato não são moldadas pela necessidade de garantir um futuro emprego numa entidade reguladora ou numa direção regional? Enquanto o Estado continuar a ser o principal "almofada" para quem deixa o poder, o conceito de serviço público continuará perigosamente entrelaçado com o interesse pessoal e a segurança profissional da elite política.

29 abril, 2026

É fartar, vilanagem!

As catástrofes naturais que têm assolado Portugal, desde os trágicos incêndios de 2017 às recentes tempestades que fustigaram, sobretudo, o centro do país no início deste ano, deixam marcas profundas no território e na alma das populações. Perante a destruição de habitações, fábricas e explorações agrícolas, a resposta do Estado foi rápida através de fundos de reconstrução é não apenas necessária, mas um imperativo de solidariedade social. Contudo, a par dos escombros, surge frequentemente um fenómeno igualmente corrosivo: o oportunismo de quem vê na tragédia uma oportunidade de lucro ilícito e que procura tirar proveita das facilidades burocráticas dadas pelo Estado como forma de se dar resposta tão rápida quanto possível aos danos e insuficiências.

É comum ouvirmos críticas contundentes à classe política, à burocracia das instituições e à alegada falta de transparência na gestão da coisa pública. No entanto, os relatos recorrentes de candidaturas fraudulentas (como alguém que pediu à volta de 3 mil euros quando na realidade apenas precisou de meia dúzia de telhas que lhe foram oferecidas) a apoios estatais revelam uma dissonância ética preocupante. Quando indivíduos ou empresas tentam obter financiamento para reconstruir estruturas que já se encontravam abandonadas ou em ruínas muito antes do desastre, ou quando inflaccionam prejuízos de forma desproporcional, estão a replicar precisamente os comportamentos que condenam nos seus representantes. Um pouco como, na estrada, alguém que tendo no seu automóvel umas valentes amassadelas, depois de um ligeiro toque de alguém, alega à seguradora que o carro estava impecável. Um simples Fiat Uno é descrito como um Ferrari.

Todos cohecemos, até por perto, casos de falsificação organizada de acidentes automóveis para enganar as seguradoras, e até mesmo em acidentes a envolver bicicletas, em que há quem se preste a substituir peças danificadas vulgares por mais caras para enganar o perito e aumentar a indemnização pela seguradora. Não somos anjinhos e todos conhecemos estas histórias.

Esta microcorrupção do quotidiano sugere que o problema ético não é exclusivo das esferas de poder, mas sim transversal a uma sociedade que, por vezes, confunde astúcia com sobrevivência e oportunismo com direito.

As ramificações destas acções enganadoras são vastas e prejudicam toda a comunidade. Os fundos públicos são finitos. Cada euro desviado para uma estrutura que já estava em ruínas é um euro retirado a uma família que perdeu o seu único teto ou a um empresário que luta para manter postos de trabalho.

A detecção de fraudes obriga o Estado a endurecer os processos de fiscalização. O resultado é um aumento da burocracia que atrasa o apoio a quem dele necessita com urgência, punindo o justo pelo pecador. Nesta situação o Governo confronta-se com a situação de pecar por excesso de zelo ou de abrir a porta e as mãos ao chico-espertismo e oportunistas, tantas vezes estes com o beneplácito de gente que está nas entidades que deviam fiscalizar e zelar pelo interesse público, usando da velha filosofia de que uma mão lava a outra e que em detrimento do Estado ganham todos.

A fraude alimenta o cinismo. Quando a comunidade percebe que o vizinho beneficiou indevidamente de um sistema de apoio, a confiança nas instituições e na própria solidariedade entre pares dissolve-se, dando lugar ao ressentimento.

Uma sociedade que aspira a instituições íntegras deve, obrigatoriamente, sustentar-se numa base de integridade individual. Criticar a corrupcção "lá em cima" enquanto se pratica o oportunismo "aqui em baixo" é uma falha moral que compromete o desenvolvimento do país.

A reconstrução de uma região após uma catástrofe deve ser física, mas também ética. Exigir transparência do governo é um dever cívico, mas agir com honestidade perante os recursos que pertencem a todos é a única forma de garantir que, na próxima tempestade, a rede de apoio seja robusta, rápida e, acima de tudo, justa. Infelizmente, de Pedrógão à região Centro, os exemplos de oportunismo mostram que nada aprendemos. No meio da catástrofe e miséria haverá sempre gente ao saque como na Idade Média. 

É fartar, vilanagem!

Vive-se bem, claro que sim.

Valorizo imenso os festivais de música. É genuíno! Não pelo motivo que a maioria possa pensar, claro. Mesmo que me oferecessem um passe VIP ...

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