28 setembro, 2026

Guarda-redes de S. Marino

O Jorge Jesus é tão bom treinador quanto a dizer uns disparates. Ontem no rescaldo do Noruega - Portugal, para a Liga das Nações, a valorizar a vitória tangencial e sofrida, comentou que a nossa selecção venceu uma das melhores cinco selecções europeias, que a Noruega não era o Azerbaijão ou o Luxemburgo. 

De uma assentada desprestigiou aquelas duas selecções. Mas, se estava nessa onda, poderia ter dito que o guarda-redes viking, esse foi um desastre e nem na selecção de São Marino tinha lugar no banco. Foram várias as asneiras e uma delas, uma oferta de Natal que deu o golo da vitória a Portugal.

Por conseguinte, Jesus já não espanta, mas já tem idade para tentar entender o significado de coerente.Se não consegue, pelo menos que se cale.

14 setembro, 2026

As férias, são um foco de doenças

Para quem trabalha, as férias são sempre desejadas, sabem a pouco e, em teoria, servem para retemperar forças, aliviar o stress e permitir o regresso ao trabalho com mais energia.

Não obstante, neste nosso singular país, parece que o período de férias é, afinal, penoso e desgastante — uma azáfama constante que faz com que muitos portugueses, e em especial os professores, fiquem cansados e até doentes. Daí que, de acordo com as declarações do Ministro da Educação no arranque do novo ano escolar, tenham sido mais de dois mil os docentes a apresentar atestado médico para adiar o recomeço da atividade. Pouca coisa.

A FENPROF, estrutura representativa da classe, terá justificado que tais dados não significam que os professores sejam mais preguiçosos ou doentes do que os restantes trabalhadores. Talvez, mas fica a suspeita. Não parece de todo normal um volume tão elevado de baixas a coincidir precisamente com o fim do descanso e o início do ano lectivo. Se ocorresse durante o inverno, em pleno surto de gripes e constipações, compreender-se-ia; contudo, após dias de praia, viagens — porventura ao outro lado do mundo —, farras e jantares, torna-se difícil de aceitar.

É o quadro habitual: o funcionalismo público na sua máxima expressão, a perturbar o funcionamento da engrenagem quando assim o entende, seja por via de greves, manifestações ou atestados médicos.

Sempre a aprender com os professores.

10 setembro, 2026

O outro lado do pitoresco

Há lugares que só são tranquilos para quem passa por eles depressa ou os observa como bucólicos presépios, de figuras arrumadinahs, imóveis e serenas.

Quem chega de fora vê o monte, a luz inclinada sobre os telhados, uma chaminé a deitar fumo ao fim da tarde. Percorre deliciado as ruelas e caminhos ladeados de árvores de fruta ou ramalhetes de cravos, rosas e sardinheiras. 

Ouve os galos, fotografa a igreja e a capela, talvez compre um queijo ou um salpicão numa mercearia onde tudo parece ter sobrevivido ao tempo. Fotografa o casario, a ponte, os muros, as horas, o cão indolente à sombra ou o gato sobre o beiral.

Depois regressa à cidade com a sensação reconfortante de ter encontrado um pedaço de mundo que ainda não foi estragado. Talvez passe esse entusiasmo aos amigos, escreva sobre a experiência e a transbordar inspiração até lhe saia um poema.

É uma ideia bonita. Mas também é mentira ou um quadro de cores não tão vivas.

A pitoresca aldeia não começa na paisagem. Começa quando se fecha a porta de casa.

Porque viver perto dos outros é conhecer-lhes os hábitos até ao detalhe. Saber quem se levanta cedo, quem bebe demais, quem não paga o que deve, quem olha pela janela quando alguém passa. Saber quem cumprimenta com entusiasmo e quem apenas move os lábios. Saber de quem é o cão que ladra toda a noite, quem deixa o carro atravessado ou à frente do portão, quem apanha a fruta ou colhe um molho de couves no quintal alheio quando pensa que ninguém está a ver. 

Aqui toda a gente se conhece. E talvez esse seja o problema.

Na cidade podemos ignorar o vizinho durante vinte anos. Aqui é preciso encontrá-lo amanhã. E depois de amanhã. E no domingo, à saída da missa, na fila da padaria, ao balcão do café, na bancada do campo de jogos ou na romaria da terra. É preciso continuar a dizer bom dia à pessoa que ontem nos chamou nomes, à mulher que espalhou uma mentira sobre a nossa família, ao homem que deixou o lixo diante do nosso portão ou a quem sabemos que nos morde pelas costas e esconde a mão que atirou umas pedras.

Não por amizade. Por sobrevivência.

A educação, nestas terras, às vezes não é uma qualidade. É uma arma de segurança.

Aprende-se cedo a sorrir quando seria mais natural cerrar os dentes. Aprende-se a baixar a voz, a escolher as palavras, a deixar passar certas coisas. Não vale a pena comprar uma guerra por causa de uma ofensa dessimulada, de um muro, de uma árvore, de um pedaço de água ou de três metros de terreno.

Só que as guerras pequenas têm uma particularidade: nunca desaparecem. Ficam.

Passam de geração em geração como passam as casas, os apelidos e as terras. Um homem morre, mas a zanga fica para o filho. Uma ofensa antiga ganha netos. Uma disputa por uma levada ou uma nascente de água transforma-se numa história de família. Há rancores tão velhos que já ninguém consegue explicar onde começaram, mas todos sabem perfeitamente quem tem razão.

É isto que os visitantes não fotografam. Não fotografam o silêncio depois de uma discussão.

Não fotografam duas pessoas que se cumprimentam à porta da mercearia enquanto cada uma pensa coisas que jamais dirá.

Não fotografam a janela que se fecha quando alguém passa. Não fotografam a mão que desaparece dentro do bolso.

Preferem o pão acabado de sair do forno, a senhora de lenço na cabeça, o velho sentado ao sol, a horta alinhada em pés de alface, tomates e couves , o sino da igreja, o cantarolar do riacho.  Preferem chamar autenticidade àquilo que, para quem vive aqui, é simplesmente a vida, uma teia peganhenta de que dificilmente se escapa.

E a vida não é só autêntica nem pitoresca. A vida é uma coisa que acontece às pessoas.

Às vezes com ternura. Às vezes com crueldade, invejas e rancores. Na maior parte do tempo, com uma mistura de tudo.

Por isso, na aldeia, continuamos a sorrir. Sorrimos ao homem que sabemos não suportar.

Sorrimos à mulher que sabemos falar de nós pelas costas. Sorrimos ao vizinho que nos deve dinheiro mas que se esquece das datas para o devolver com juros.

Sorrimos a quem nos roubou qualquer coisa pequena, porque amanhã poderemos precisar de lhe pedir uma coisa grande.

Sorrimos porque a distância entre a boa educação e o desastre pode ser muito curta.

E há coisas que, numa aldeia, se aprendem sem que ninguém precise de as ensinar.

Aprende-se onde cada família guarda as ferramentas.

Aprende-se quem tem cães. Aprende-se quem é covarde ou tem coragem, quem é corno ou mulherengo.

Aprende-se quem fala muito, pouco ou nada. Quem fala directamente, por meias palavras ou apenas por olhares e gestos.

E aprende-se, sobretudo, que por detrás de algumas portas há sempre qualquer coisa que não aparece nas fotografias.

Às vezes é apenas uma espingarda. Às vezes é uma pistola ou apenas um pau que não quebre na paulada.

Quase sempre é uma história. E enquanto os visitantes admiram a paisagem e a tipicidade das gentes, nós, os locais, continuamos a trocar bons-dias e a saudar quem passa. 

Fingimos e sorrimos. É mais seguro assim. O que apetece dizer é melhor que se não diga ou, sem sim, apenas no pensamento.

09 setembro, 2026

Os mestres das ilusões

Mais do que nunca, vivemos numa época em que mais vale parecer do que ser. O Governo, as autarquias e a comunicação social usam e abusam dos eufemismos e das meias-verdades, jogando constantemente com as percepções. Tal como num espectáculo de ilusionismo, o mágico precisa de distrair para iludir — algo que se torna simples porque, quase sempre, o público tende apenas a ver e a ouvir o que lhe convém.

Com frequência, lemos ou ouvimos anúncios como:

"No município X, os transportes públicos serão totalmente gratuitos";

"Os alunos passarão a ter manuais escolares completamente grátis";

"No município Y, as creches serão gratuitas";

"As autoestradas X, Y e Z deixarão de ter portagens";

"A Junta de Freguesia Z vai incentivar a natalidade com a oferta de um cheque de 500 euros por cada nascimento".

Esta narrativa cria a falsa percepção de que, com tais medidas, tudo se transformará num reino maravilhoso de bens e serviços gratuitos e de ofertas antecipadas de Natal.

Nada é mais falso. Quer seja no Estado Central, nas autarquias ou nas juntas de freguesia, tudo o que se anuncia como "grátis" continua a ter custos, financiados pela totalidade dos contribuintes. Trata-se de um modelo desequilibrado e injusto, uma vez que a factura é paga não só por quem usufrui dessas benesses, mas também por aqueles que delas nunca tirarão qualquer partido. 

É um pouco como a repetida história de que num certo município o evento X deixou um retorno económico de centenas ou milhares. A quem? A todos ou a quem mais bebe por estar perto da fonte. É que, no meu caso, em dezenas de anos de eventos realizados cá pelo brugo, nunca senti caír um euro no meu bolso, antes pelo contrário, a ter de pagar quando há prejuízos na gestão ou exploração.

Em suma, assim continuamos: satisfeitos com supostos "benfeitores e altruístas" que, na verdade, não tiram um único cêntimo do próprio bolso para financiar as promessas que fazem ou as medidas que implementam à custo do erário público. 

Assim vamos andando!

08 setembro, 2026

Prioridades!


As redes sociais são férteis em frases feitas. Norma geral, ignoro. Mas desta vez, a esta que a imagem ilustra, deixei o comentário:

- Nem mais. Eu por perceber isso, e que não podia estar à espera que o Estado ou a Autarquia me desse uma casa ou pagasse a renda, trabalhei (desde os 12 anos e cumpri serviço militar obrigatório de 2 anos), comprei terreno, paguei projecto, taxas e licenças, edifiquei, paguei empréstimo bancário, juros e mais juros, de que já me livrei. Tenho a casa como minha e ainda pago a renda de IMI ao Estado. Não tive pais ricos nem sogros abastados nem me saíu a Lotaria ou o Totoloto.  Saúde, graças a Deus, tenho tido, mesmo que com as mezelas do trabalho e idade. Eduquei e formei filhos.

Em contrapartida, porque não há soluções e varinhas mágicas, segredos ocultos, nem petróleo no Beato, tenho dois carros velhos, não vou de férias ao estrangeiro nem ao Algarve, Madeira ou Açores, o meu telemóvel, de 120 euros, tem quase 10 anos, não tenho Netflix, não vou almoçar e jantar fora as vezes que gostaria, não compro roupa, calçado ou perfumes de marca, etc, etc.

De facto, ter casa própria não deve ser um sonho mas uma prioridade. Dito melhor, prioridades. 

Num país com baixos salários (o meu também não é alto), não há outra forma de obter casa senão com trabalho e espírito de sacrifício, opções e... prioridades.

Não obstante, muitos há que não gostam deste tipo de discurso. Há quem considere que tem de ser o Estado ou a Autarquia a oferecer a casa já pronta a habitar, se possível com rendas baixas ou comparticipadas. Haverá, com certeza, pessoas e famílias que merecerão ajuda do Estado Social, mas no geral, o que falta é pouca vontade em trabalhar e, acima de tudo, definição das tais prioridades.

01 setembro, 2026

O meu é maior que o teu

Todos os anos, em Agosto, as atenções do norte de Portugal dividem-se entre duas freguesias: Torno, no concelho de Lousada, e na localidade de Alvites, Vila de Mouçós, em Vila Real. Ambas transformam a celebração religiosa num palco para erguer andores, estruturas monumentais em madeira, flores e talha que desafiam a gravidade e a própria física. Mas, por trás de toneladas de peso carregadas aos ombros de dezenas de homens, surge uma questão inevitável: até que ponto estas obras representam devoção religiosa, e onde começa a ostentação comunitária?

Para compreender o fenómeno, basta olhar para os números. De um lado, a Senhora da Aparecida (Lousada) ostenta o título reconhecido pelo Guinness World Records, com estruturas que ultrapassam os 22 metros de altura. Do outro, a Senhora da Pena (Mouçós) exibe um andor colossal que pode atingir as 4,4 toneladas e mobilizar mais de uma centena de carregadores num único esforço humano. Apesar do reconhecimento ao andor de Lousada, os de Mouções (está no cartaz) referem-se ao mesmo como "o maior andor do mundo carregado por força humana". Qual o significado, aqui, de maior? Mais alto, mais pesado, mais largo, mais comprido?

A grandiosidade visual é inegável, mas a motivação por trás da construção destas estruturas ultrapassa os limites do manual de liturgia católica. Creio até, que ambas as senhoras (que são a mesma), dessem o seu consentimento a esta desproporcionalidade. O Evangelho ensina-nos que a mãe de Jesus era tudo menos espalhafatosa. Cultivava a humildade e o recato, tudo ao contrário do que estes andores apresentam. Creio que prefere um andor de pequenas dimensões e desprovido de vaidades e ostentações. Há quem diga que é fé, mas em muito será mais uma fezada.

A tradição das romarias portuguesas sempre integrou uma dimensão profana ao lado do sagrado. Contudo, no caso destas duas localidades, a competição tomou proporções desmesuaradas. A necessidade de superar o rival da região vizinha ou de figurar nos livros de recordes ou cativar mais forasteiros a assistir, revela um traço profundamente humano: a vaidade colectiva.

O estatuto da freguesia, o orgulho local e a afirmação de superioridade territorial encontram no andor a sua expressão máxima. O altar itinerante deixa de ser apenas um meio para elevar a imagem e passa a ser um troféu comunitário. A ostentação surge vestida de rendas e flores, financiada por doações que visam garantir que o andor deste ano "seja ainda maior do que o do ano passado". A ambição de se acrescentar mais uns centímetros ou quilos é patente.

Os defensores da tradição podem argumentar que o sacrifício dos carregadores é uma prova de fé e devoção. Enfrentar temperaturas elevadas e suportar dezenas de quilos sobre os ombros durante horas é, para muitos, o pagamento de promessas severas ou um acto de penitência.

No entanto, a linha que separa o sacrifício devocional do espectáculo de força é ténue. A mobilização dos homens da terra assume frequentemente o carácter de uma demonstração de virilidade e coesão social, onde o sofrimento físico serve também para validar o feito perante a multidão de espectadores que filma e se surpreende com o cortejo.

Não se pode anular a autenticidade da fé individual de quem participa, seja a construir, a pagar ou a carregar o andor. Todavia, é impossível ignorar que a rivalidade entre Lousada e Vila Real, ou mesmo entre outras localidades, transformou a procissão num palco de rivalidade mediática e sociológica.

Transportar uma estrutura de mais de uma tonelada com mais de 20 metros de altura, onde o centro de gravidade é extremamente elevado, reduz a margem de erro a zero. Qualquer desequilíbrio de um dos homens na base pode ser fatal.

Não surpreende, pois, que um dia a coisa venha a baixo com estrondo e consequências. De resto, em Lousada já aconteceu no dia 14 de agosto de 2017, durante a procissão em honra de Nossa Senhora da Aparecida. Na altura, a estrutura monumental de cerca de 22 metros de altura perdeu o equilíbrio no momento em que era transportada, acabando por tombar sobre a multidão e contra o telhado de um edifício próximo. O acidente causou ferimentos em quatro pessoas, gerando momentos de grande pânico e obrigando à interrupção da procissão. Podia ter consequências bem mais graves. Em todo o caso, foi um momento que pôs a descoberto o ridículo de tal desmesuramento.

Apesar da gravidade da queda e do risco real de perda de vidas humanas, a tradição manteve-se nos anos seguintes, embora, supostamente, sob maior escrutínio e preocupação com as condições de equilíbrio do andor.

A celebração dos maiores andores do mundo continua a ser um retrato fascinante da cultura popular portuguesa — um ponto de encontro onde o sagrado e o profano, a fé sincera e a vaidade comunitária, se cruzam sob o mesmo peso de madeira e tradição.

Que Nossa Senhora lhes perdoe!

26 agosto, 2026

Os portugueses, esses malandros, e os outros

Em quase toda a comunicação social portuguesa parece existir uma regra: a nacionalidade ou a etnia do suspeito é informação importante quando é português, mas torna-se subitamente irrelevante quando não convém destacá-la. Não convém mesmo, sob pena de acusações de xenofobia ou racismo.

Veja-se o recente caso do atropelamento em Albufeira: um homem de 35 anos, alcoolizado, desobedeceu a ordens da GNR, avançou contra peões e provocou 12 feridos. Ficamos a saber a idade, a taxa de alcoolemia, a sequência dos acontecimentos e, imagine-se, que é português.

O problema começa quando a nacionalidade é manchete num caso e informação descartável noutro. Quando o suspeito é português, pode ser apresentado como “português de...”. Quando é estrangeiro, transforma-se simplesmente em “um homem”. E, quando pertence a determinada etnia, como a cigana, então parece tratar-se de informação proibida — uma espécie de segredo de Estado jornalístico.

Não se trata de exigir que a nacionalidade seja sempre divulgada. Trata-se de exigir coerência. Ou é relevante, ou não é.

Ora, parece-nos que existe, de facto, uma notória tendência para ocultar a nacionalidade quando acidentes ou incidentes — sobretudo de natureza criminal — envolvem pessoas que não nasceram nesta nossa República das Bananas.

Mas é o que temos. Num tempo dominado pelas perceções, pela linguagem cuidadosamente higienizada e por uma comunicação social cada vez mais sujeita a agendas woke, não se espere, aparentemente, que critérios como ética, imparcialidade e coerência sejam capazes de sobreviver à necessidade de não ferir susceptibilidades.

25 agosto, 2026

Bendita chuva!

Dia de chuva abençoada. Porque sim, porque está a molhar os fósforos aos incendiários, a regar campos e florestas, ainda a engordar algum grão na espiga e uva na vinha e a arrefecer entusiasmos desnecessários.

Bem sei que está a deixar muita malta aborrecida, porque em férias. Uma estragação para dias de praia, festas, festinhas, eventos e passeios.  Uma seca, dirão! Abençoada, digo eu, mesmo que também em férias. 

Nunca devemos ficar aborrecidos nem maldizer a natureza por esta se dignar a conceder de borla um dos bens mais necessários à vida, seja ela qual for. Abençoada água! Venha mais! Com moderação será toda bem-vinda. Quem estiver arreliado por a chuva interromper as idas à praia, festas e concertos, aproveite para ler e arrumar o sótão! 

Chuva abençoada!

11 agosto, 2026

Mansos cordeiros

  Coisas que nos deviam fazer pensar:

- Que nos seja negado o direito constitucional de livre acesso e circulação no espaço público, numa zona nobre de uma vila ou cidade, durante quase duas semanas, a pretexto e favor de um evento de entretenimento.

Há quem ache isso normal e até aceite com um sorriso. Talvez os mesmos que dão as nádegas livremente à obrigação de uma vacina. Um dia destes aceitarão que lhes seja cravado nas orelhas um brinco identificativo, como se faz ao gado ou às ovelhas de um rebanho.

Apesar disso, são capazes, se os meterem num autocarro e lhes derem umas bandeiras e cartazes, de se juntarem numa manifestação em defesa dos direitos consagrados na santa Constituição ou contra a quem pretenda alterar, mesmo que pelas regras da democracia.

10 agosto, 2026

Notas de um rodapé desleixado

A nossa televisão pública é o que é: um sorvedouro dos impostos dos contribuintes e pouco mais. No resto — e para além de ter menos espaços publicitários —, em nada se diferencia da concorrência. É banal, folclórica, popularucha e desleixada.

Ainda hoje, naquele rodapé rolante, surgiam calinadas a torto e a direito. Numa nota, informava que, na Volta a Portugal, o francês Alexis Guérin tinha vencido isolado no alto da Torre e que, por isso, arrebatara a camisola amarela. Logo de seguida, exibia a informação de que, no final da 3.ª etapa, Rui Oliveira mantinha a amarela, mesmo após a vitória de Linarez em Elvas. Ou seja, cruzava uma notícia fresca com outra completamente desactualizada, que já ali não deveria estar.

Na mesma sessão, numa notícia relacionada com a guerra na Ucrânia e as acções na Crimeia, referia-se a um "comandante craniano". Escapou-se o "U" — coisa pouca, dirão. Deve ter sido um lapso de memória combinado com um problema craniano.

Guarda-redes de S. Marino

O Jorge Jesus é tão bom treinador quanto a dizer uns disparates. Ontem no rescaldo do Noruega - Portugal, para a Liga das Nações, a valoriza...

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