29 maio, 2026

Cabalas e conspirações

João Soares, essa figura grada do pensamento socialista, ou não fosse filho de quem é, aos desenvolvimentos da operação do Ministério Público e Polícia Judiciária, tendo como alvo pessoas ligadas ao Partido Socialista,  considerou que "não cheira nada bem", escreveu na rede social Facebook. "Parece-me claramente ter uma orientação política, inaceitável", considerou. E questionou: "A que título buscas na sede de um partido contra o qual não há acusações?". Defendeu ainda que o seu partido "não é um bando de malfeitores". "Pelo contrário, é o grande partido da liberdade e do diálogo democrático em Portugal", sublinhou. "Ainda por cima com o mau gosto de tudo ser feito a 28 de maio, no centésimo aniversário do golpe que instaurou a ditadura em Portugal. O que é também de muito mau gosto", atirou.

Em resumo, para João Soares, tudo isto é uma cabala com uma orientação política. Claro que apresentar provas dessa teoria, zero, bola.

Posto isto, dizer que estas coisas não acontecem só a gente ligada ao PS mas a todos os outros partidos, porque o cheiro pelo dinheiro fácil, favorecimentos e tudo o mais que caracteriza actos de corrupção, é transversal e tenta a todos.

Como se costuma dizer, "pimenta no cu dos outros no nosso é refresco". Ora quando casos similares atingem outros partidos, o PS surfa  a onda em todos os mares, como donos exclusivos da moral, dos bons costumes e da legalidade a toda a prova. Mas como agora o fogo alastra gomo gasolina em palha seca na casa do Largo do Rato, aqui del-rei que há uma cabala, uma conspiração, logo no 28 de Maio.

Mesmo que sem qualquer ligação, convém não esquecer os impactos do caso de José Sócrates e do caso Influencer. Começa a ser muita fruta ácida para o PS ter de digerir. Fazê-lo com reações como a de João Soares, não ajuda.

Em suma, reacções patéticas e comezinhas, que já não colhem a quem tem dois dedos de testa e não se servem dela para comer gelados. 

22 maio, 2026

Basqueiro, palco e antena

E pronto! Missão cumprida! Os dois ditos activistas portugueses que integravam uma coisa chamada flotilha, conforme por eles previsto e programado, foram detidos pelas autoridades de segurança de Israel. Já foram devolvidos à procedência. Espero que a devolução não tenha sido à custa dos contribuintes, mas desconfio que sim.

Quanto ao resto, tiveram o seu momento de glória e todo o espaço de antena que pretendiam. Queixaram-se das condições da recepção, sem passadeira vermelha, bolo e espumante, mas se assim não fosse, que piada tinha?

Por mim, dada a irrelevância da coisa e dos artistas, espanta-me que ainda se continue a dar palco e tempo de antena a esta gente. Mas, o rato quando sabe onde há queijo, não resiste.

Quanto às queixas de maus tratos, creio que estes ficaram em défice. Já sabiam ao que íam, logo gostaram.  Afinal é velhinha a sentença de que quem anda à chuva molha-se! E não tinham qualquer necessidade de o fazer pois o seu protagonismo e basqueiro que produzem vale zero ao quadrado. Apenas show off. Se querem realmente ajudar, podem ir combater pela Ucrânia contra o invasor Rússia.

06 maio, 2026

Pois, pois, serviço público e coisa e tal

Atentos ao estudo recente da Universidade do Minho, a que a imprensa tem dado eco, que rastreou o percurso de 113 antigos presidentes de câmara após a cessação das suas funções no ano passado, revela dados esclarecedores sobre a simbiose entre o poder político e a sobrevivência profissional em Portugal. A conclusão principal é inequívoca: a "regressão" à vida civil e à profissão anterior é a excepção, e não a regra. De facto, apenas 15 destes antigos autarcas retomaram as carreiras que tinham antes de entrar na política.

Os números detalham uma trajectória de continuidade dentro das estruturas do Estado. Cerca de dois terços dos ex-presidentes (66%) ocupam agora novas posições na esfera pública. Entre os 75 autarcas que se mantiveram ligados ao erário público, 25 transitaram para a Administração Pública,  incluindo direcções regionais, institutos públicos, universidades e fundações, enquanto 23 permaneceram no poder local, embora em municípios vizinhos ou em cargos de oposição. A rede de influências estende-se ainda ao poder central: 20 integraram o Parlamento Nacional, dois tornaram-se deputados regionais e cinco ocupam cargos no Governo. 

No restante espectro, nove optaram pela aposentação, seis transitaram para o sector privado e cinco seguiram para o Parlamento Europeu. Há ainda registo de três indivíduos em associações de cariz público ou privado.

Estes dados impõem uma reflexão necessária sobre a natureza do exercício do poder local. A narrativa oficial da política é, quase invariavelmente, pautada pelo "espírito de missão" e pelo desejo altruísta de servir a comunidade. Contudo, a estatística sugere uma realidade mais pragmática: a política transformou-se numa carreira altamente profissionalizada e num ecossistema de proteção mútua. Cargos no Poder Local são quase sempre elevadores para cargos superiores.

Quando apenas 13% dos autarcas regressam ao seu emprego de origem, torna-se evidente que o cargo de presidente de câmara não é encarado como um parêntese na vida profissional, mas sim como um activo estratégico. Para muitos, a passagem pela autarquia serve para consolidar uma rede de contactos e influências que garante a ocupação de cargos de nomeação em institutos, fundações e organismos estatais onde o mérito técnico é, frequentemente, secundarizado pela lealdade partidária.

Ninguém entra para cargos de tamanha responsabilidade apenas para servir o próximo. Existe uma legítima, embora raramente admitida, preocupação com o "dia seguinte". O problema reside na criação de uma classe política que se torna dependente do Estado para a sua subsistência, o que levanta questões éticas profundas: até que ponto as decisões tomadas durante um mandato não são moldadas pela necessidade de garantir um futuro emprego numa entidade reguladora ou numa direção regional? Enquanto o Estado continuar a ser o principal "almofada" para quem deixa o poder, o conceito de serviço público continuará perigosamente entrelaçado com o interesse pessoal e a segurança profissional da elite política.

Em contra-mão

O Mundial de Futebol 2026 avança para o final da fase de grupos e ainda não vi um único jogo. Apenas um ou outro resumo e de Portugal, talve...

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