Tal como quando aconteceu com o apagão, parece ficar claro que o primeiro-ministro, visto por uma certa perspectiva, não tem estofo para somar pontos com o que no país corre mal e com a tragédia, seja de origem técnica, humana ou causada pelas indomáveis forças da natureza. Deveria fazer como todos fazem? Aparecer com os discursos do costume, falar ao país às 20 horas com ar pesaroso, vestir camuflados, fardas de bombeiros, colocar capacetes, óculos e luvas e dar mostras que está no terreno, no teatro de operações? Exactamente no teatro, como uma personagem teatral a interpretar um papel de figura zelosa e interessada?
Para o bem e para o mal, por inércia, personalidade ou cálculo, tem lidado com estas situações de um modo diferente da norma estabelecida, fora de tempo e da luz dos holofotes e das câmaras. Todavia, nesta sua forma de ser, estar e agir, o país da opinião, dos opinion makers, os dão notas como professores, não lhe perdoa em tudo quanto é palco de comunicação. Eu próprio, com tanta má nota, fico sem saber qual das versões me agradaria, se a teatral se a outra, a discreta, menos presencial e espalhafatosa. Como no meio estará a virtude, talvez entre as duas, até porque percebo que nas horas de tragédia temos de nos agarrar a algo e a alguém, como a tomar uma pastilha Melhoral, que não fará bem nem mal.
Somos de percepções e algo falha quando não as recebemos de alguém. Nessa perspectiva teatral tem falhado o nosso primeiro e volta agora a falhar.
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