Pelo que vamos lendo na espuma dos dias, o cenário actual do sector da restauração em Portugal parece marcado por um contraste de perspectivas entre as associações representativas e as entidades reguladoras:
A Posição da AHRESP: A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal manifesta preocupação face ao atraso na implementação dos apoios prometidos pelo Governo em Janeiro passado. A associação do sector sublinha a urgência destas medidas para reforçar a tesouraria das empresas, que consideram essencial para a sustentabilidade do setor. Ou seja: Consideram estar em crise e em dificuldades.
A perspectiva do Banco de Portugal: Em oposição, por estes dias o governador Álvaro Santos Pereira questionou a necessidade de intervenção pública imediata. Com base em dados do INE, argumenta que o sector tem demonstrado resiliência e crescimento robusto, com um aumento de 25% em termos reais desde 2019, impulsionado pelo dinamismo do turismo e do consumo interno.
O Desempenho Recente: Embora se registe uma moderação no ritmo de crescimento, os indicadores de 2025 revelam um aumento de 2,9% no volume de negócios nominal em relação ao ano anterior, desafiando a narrativa de uma crise generalizada no setor.
Face a isto, bem sabemos que sempre foi assim: Neste país quem não chora não mama! E tem sido essa a filosofia de alguns sectores nomeadamente o da restauração. Pelo menos por cá na zona, vejo os restauramtes cheios, a cobrarem bem, e na maioria deles quem quiser almoçar ao Domingo, se pedir reserva no início da manhã já não tem vaga. Mesmo nos demais dias, sobretudo em fim-de-semana, a coisa repete-se. Em dias especiais, ui, ui, todos cheios, todos a bombar.
Por conseguinte, dificuldades todos temos e que mais não seja pelos factores que não dominamos, como as tempestades de Janeiro, a guerra na Ucrânia e agora a guerra no médio oriente. A esta crise, a estes factores, nem o Governo escapa, e porque somos de percepções, parece que as sondagens dizem que as poucas centenas de pessoas consultadas dizem que estão piores agora do que há dois anos, mesmo entre aqueles que votaram na AD. Pois eu digo o mesmo, mas pelo menos reconheço que o problema não é de Montenegro e companhia que perante estes factores pouco ou nada pode fazer. Do que quer que faça, agora ou a jusante, pagaremos a factura. Apesar disso, há sempre quem acredite em milagres e que bastará uma simples mudança de Governo para a coisa voltar a ser um paraíso. Com estas percepções, o PS já afia as unhas e os dentes e a pôr-se em bicos de pés. Até o Pedro Nuno Santos, depois da indigestão da derrota, já está de regresso ao Parlamento e daqui a nada estará a partir a louça, a traçar cenários com a esquerda mais radical, saudosista da geringonça O Carneiro que se ponha fino.
Era bom que sim, mas que ninguém se iluda. Um país pobre há-de ser sempre pobre a não ser que descubra agora no seu território petróleo, ouro e diamantes ou mesmo governantes competentes. Os milagres têm limites e aquele que dizem que os fez, há dois mil anos, foi crucificado.
Em resumo, casa onde não há pão, todos ralham sem razão e quem não chora não mama! Vamos, pois, continuar a chorar porque haverá sempre alguém a prometer mama.
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