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14 julho, 2026

É tudo um negócio, seja nacional ou mundial

Sobre a relevância, ou não, da dita selecção francesa de futebol, no actual Mundial da modalidade, ter 23 dos seus 26 jogadores nascidos em França apesar da maioria serem negros ou magrebinos. Ou ainda, por 19 dos 26 jogadores da selecção marroquina terem nascido fora de Marrocos. 

Para os puristas do nacionalismo, será, de facto, uma confusão. Apesar disso, creio que hoje em dia é irrelevante. Jogadores negros há em todas as selecções, mesmo na Suécia, Noruega e Suiça. Já suecos, noruegueses e suiços no Congo ou outro país africano, devem ser mais raros que ursos polares no Sara. É apenas o reflexo da mistura das raças e culturas nas sociedades, sobretudo ocidentais. 

Parece-me, pois, uma falsa questão e apenas pode fazer confusão a alguns porque na essência o conceito de selecção nacional, de algum modo, reflectia as características intrínsecas da raça e cultura de cada país, o que já se perdeu há décadas. Por conseguinte, talvez o que esteja desajustado seja o termo selecção nacional. Invente-se outra designação e deixe-se cair o nacional (que, para além das bolachas) já deixou de ser bom.

Para além de tudo, o futebol, mesmo neste contexto mundial das ditas selecções, é apenas parte do negócio e este não se compadece com purismos raciais ou culturais. Veja-se, entre outras modalidades, o caso dos brasileiros em várias selecções nacionais de futsal. No atletismo, entre tantos exemplos, veja-se o caso do cubano Pedro Pychardo. Por conseguinte, isto de nacionalidades no desporto e o mérito dos países, tem que se lhe diga.”Everything is business”.

Mas, como disse alguém, o mundo começou a ficar “complicado” quando Portugal jogou, no Mundial de 1966, com quatro portugueses africanos, todos nascidos em Moçambique: Hilário, Vicente, Coluna e Eusébio. E, como respondi, com este frenesim de ajuste de contas com a história que por aí anda, ainda acabaremos por ser responsabilizados por abrir a caixa de Pandora.

O mundo está mesmo um jardim de florzinhas de cheiro, que tremelicam por tudo e nada.

07 julho, 2026

Os deuses desceram à terra

Cinco jogos da nossa selecção de futebol neste mundial dos intervalos para publicidade e despenalizações de cartões vermelhos a pedido. Em três deles o nosso guarda-redes foi o melhor em campo, o que diz muito da coisa. Um treinador espanhol que nunca conseguiu fazer daquele lote de príncipes e deuses da bola uma selecção. E modelos não faltaram, como Cabo Verde, por exemplo, ou a Noruega. O treinador não passou de medíocre. Era preferível que não soubesse falar português mas que fosse competente a fazer jogar uma equipa.

Apesar de tudo, a eliminação dos oitavos tem coisas positivas, como o voltar à normalidade: Os balões perderam o ar, os deuses com pés de barro desceram à terra, o povo, que encheu estádios e praças num entusiasmo infantil tem de retomar o trabalho e os príncipes da bola, esses vão de férias de luxo para locais paradisíacos. 

A vida continua e o futebol, queira-se, ou não, não lhe faz falta alguma. Há coisas bem mais importantes. Ficaria contente com a vitória, certamente, mas não trocava um quilo de tomates da minha horta por uma vitória da selecção. 

28 junho, 2026

Pragmatismo e careca pensadora

Num jogo de futebol, quando o melhor em campo é o guarda-redes, fica mais ou menos tudo dito sobre quem esteve por cima. Parece que foi assim no Colômbia - Portugal desta madrugada. Apesar disso o espanhol de careca luzidia, ficou satisfeito e disse que isso foi bom, porque ajuda a equipa a preparar-se para defender. Porreiro!

Com tudo isto, ficarei contente por cada vitória da nossa selecção? Sim! Ficarei triste pela derrota? Não! Porquê? Por uma questão de pragmatismo e relatividade que merece o futebol. Antes uma derrota que uma dor de dentes.

25 junho, 2026

Em contra-mão

O Mundial de Futebol 2026 avança para o final da fase de grupos e ainda não vi um único jogo. Apenas um ou outro resumo e de Portugal, talvez uns 15 minutos. Não fosse a imprensa, rádio e televisão andarem entupidos com o evento, e nem daria pela coisa.

Sei que estou em contra-mão. Esta coisa de relativizar o futebol e seus faits divers, dar-lhe apenas a importância que merece no contexto das dezenas de coisas bem mais importantes na vida, já não está na moda. Quem caminha sozinho neste sentido arrisca-se a ser atropelado pela manada que avança firme e compacta em sentido contrário. Ai de quem bufe contra Ronaldo e companhia...

É a vida!

12 junho, 2026

A última coca-cola no deserto

Tivesse eu, meios e poder, porque quem tem este tem aqueles, e seria agora, em todo o tempo que vai decorrer o Mundial de Futebol, que rumaria para uma ilha deserta, ou pelo menos para um lugar onde não fosse possível chegar as notícias e todo o frenesim mediático à volta dos príncipes e reis do chuto na bola.  Para os que, como eu,  literal e metaforicamente se estão "borrifandoo" para esta cena do Mundial, todo este período será uma espécie de massacre, pois em tudo quanto é imprensa, escrita. falada e visual, vai haver palco a todo o momento, no antes, durante e depois. Adeptos, jogadores, técnicos e comentaristas, vão falar de um jogo como especialistas em foguetões e mísseis hipersónicos. Como se não bastasse, o comércio surfa a onda e por estes dias não há espaço que não tenha referências ao torneio.

Posto isto, se me perguntam se desejo que Portugal vença a prova? Claro que sim, mas em bom rigor isso em nada mudará a minha vida e feitas as contas no final nem mais um cêntimo no bolso. Já aquela malta, os príncipes e os reis e o espanhol, certamente somarão mais uns valentes milhares, mesmo que no geral seja acrescentar 20 litros de água às suas piscinas olímpicas.

Continuo a gostar de futebol mas já sem a pachorra para os aspectos que o tornam enfadonho e com a excessiva importância que lhe dão como se a última coca-cola fresquinha no meio do deserto. 

Dispenso os preliminares, bastando-me saber o resultado.

A propósito de trapalhadas de gente, que dizem competente

No contexto das trapalhadas dos ministros da Educação e Administração Interna:  O que me preocupa nisto tudo, é olhar para cima e para baixo...

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