Em quase toda a comunicação social portuguesa parece existir uma regra: a nacionalidade ou a etnia do suspeito é informação importante quando é português, mas torna-se subitamente irrelevante quando não convém destacá-la. Não convém mesmo, sob pena de acusações de xenofobia ou racismo.
Veja-se o recente caso do atropelamento em Albufeira: um homem de 35 anos, alcoolizado, desobedeceu a ordens da GNR, avançou contra peões e provocou 12 feridos. Ficamos a saber a idade, a taxa de alcoolemia, a sequência dos acontecimentos e, imagine-se, que é português.
O problema começa quando a nacionalidade é manchete num caso e informação descartável noutro. Quando o suspeito é português, pode ser apresentado como “português de...”. Quando é estrangeiro, transforma-se simplesmente em “um homem”. E, quando pertence a determinada etnia, como a cigana, então parece tratar-se de informação proibida — uma espécie de segredo de Estado jornalístico.
Não se trata de exigir que a nacionalidade seja sempre divulgada. Trata-se de exigir coerência. Ou é relevante, ou não é.
Ora, parece-nos que existe, de facto, uma notória tendência para ocultar a nacionalidade quando acidentes ou incidentes — sobretudo de natureza criminal — envolvem pessoas que não nasceram nesta nossa República das Bananas.
Mas é o que temos. Num tempo dominado pelas perceções, pela linguagem cuidadosamente higienizada e por uma comunicação social cada vez mais sujeita a agendas woke, não se espere, aparentemente, que critérios como ética, imparcialidade e coerência sejam capazes de sobreviver à necessidade de não ferir susceptibilidades.
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