26 agosto, 2026

Os portugueses, esses malandros, e os outros

Em quase toda a comunicação social portuguesa parece existir uma regra: a nacionalidade ou a etnia do suspeito é informação importante quando é português, mas torna-se subitamente irrelevante quando não convém destacá-la. Não convém mesmo, sob pena de acusações de xenofobia ou racismo.

Veja-se o recente caso do atropelamento em Albufeira: um homem de 35 anos, alcoolizado, desobedeceu a ordens da GNR, avançou contra peões e provocou 12 feridos. Ficamos a saber a idade, a taxa de alcoolemia, a sequência dos acontecimentos e, imagine-se, que é português.

O problema começa quando a nacionalidade é manchete num caso e informação descartável noutro. Quando o suspeito é português, pode ser apresentado como “português de...”. Quando é estrangeiro, transforma-se simplesmente em “um homem”. E, quando pertence a determinada etnia, como a cigana, então parece tratar-se de informação proibida — uma espécie de segredo de Estado jornalístico.

Não se trata de exigir que a nacionalidade seja sempre divulgada. Trata-se de exigir coerência. Ou é relevante, ou não é.

Ora, parece-nos que existe, de facto, uma notória tendência para ocultar a nacionalidade quando acidentes ou incidentes — sobretudo de natureza criminal — envolvem pessoas que não nasceram nesta nossa República das Bananas.

Mas é o que temos. Num tempo dominado pelas perceções, pela linguagem cuidadosamente higienizada e por uma comunicação social cada vez mais sujeita a agendas woke, não se espere, aparentemente, que critérios como ética, imparcialidade e coerência sejam capazes de sobreviver à necessidade de não ferir susceptibilidades.

25 agosto, 2026

Bendita chuva!

Dia de chuva abençoada. Porque sim, porque está a molhar os fósforos aos incendiários, a regar campos e florestas, ainda a engordar algum grão na espiga e uva na vinha e a arrefecer entusiasmos desnecessários.

Bem sei que está a deixar muita malta aborrecida, porque em férias. Uma estragação para dias de praia, festas, festinhas, eventos e passeios.  Uma seca, dirão! Abençoada, digo eu, mesmo que também em férias. 

Nunca devemos ficar aborrecidos nem maldizer a natureza por esta se dignar a conceder de borla um dos bens mais necessários à vida, seja ela qual for. Abençoada água! Venha mais! Com moderação será toda bem-vinda. Quem estiver arreliado por a chuva interromper as idas à praia, festas e concertos, aproveite para ler e arrumar o sótão! 

Chuva abençoada!

11 agosto, 2026

Mansos cordeiros

  Coisas que nos deviam fazer pensar:

- Que nos seja negado o direito constitucional de livre acesso e circulação no espaço público, numa zona nobre de uma vila ou cidade, durante quase duas semanas, a pretexto e favor de um evento de entretenimento.

Há quem ache isso normal e até aceite com um sorriso. Talvez os mesmos que dão as nádegas livremente à obrigação de uma vacina. Um dia destes aceitarão que lhes seja cravado nas orelhas um brinco identificativo, como se faz ao gado ou às ovelhas de um rebanho.

Apesar disso, são capazes, se os meterem num autocarro e lhes derem umas bandeiras e cartazes, de se juntarem numa manifestação em defesa dos direitos consagrados na santa Constituição ou contra a quem pretenda alterar, mesmo que pelas regras da democracia.

10 agosto, 2026

Notas de um rodapé desleixado

A nossa televisão pública é o que é: um sorvedouro dos impostos dos contribuintes e pouco mais. No resto — e para além de ter menos espaços publicitários —, em nada se diferencia da concorrência. É banal, folclórica, popularucha e desleixada.

Ainda hoje, naquele rodapé rolante, surgiam calinadas a torto e a direito. Numa nota, informava que, na Volta a Portugal, o francês Alexis Guérin tinha vencido isolado no alto da Torre e que, por isso, arrebatara a camisola amarela. Logo de seguida, exibia a informação de que, no final da 3.ª etapa, Rui Oliveira mantinha a amarela, mesmo após a vitória de Linarez em Elvas. Ou seja, cruzava uma notícia fresca com outra completamente desactualizada, que já ali não deveria estar.

Na mesma sessão, numa notícia relacionada com a guerra na Ucrânia e as acções na Crimeia, referia-se a um "comandante craniano". Escapou-se o "U" — coisa pouca, dirão. Deve ter sido um lapso de memória combinado com um problema craniano.

03 agosto, 2026

Seres humanos, certamente, mas não só

Não há muito a dizer sobre a invasão de Ceuta. Para além das dezenas de mortes de quem agiu por sua conta a risco, o caso serviu para mostrar que é possível uma invasão, com base em aspirações legítimas, o querer procurar melhores condições de vida, mas de modo ilegal e contra todas as regras que devem pautar a emigração. 

Certamente que este caso, como outros, teve a mão de redes criminosas e a conivência das autoridades de Marrocos, mas assente  na venda de uma ideia a toda aquela gente, a de quem em Espanha e em Portugal é fácil entrar e viver, e onde a ilegalidade acaba por ser relevada. Ou seja, o objectivo é chegar a esses países e logo se verá, mas no geral, mesmo que sem condições básicas de integração, acabarão por fazer parte da população, mesmo que à frente todos pareçam ficar surpreendidos (como em Portugal) com os números apresentados pelo INE.

O presidente António José Seguro referiu-se a essa horda de invasores, como "seres humanos". Com certeza que sim, e percebemos o teor humanista das suas declarações, mas os "seres humanos", sobretudo por essa condição, têm de cumprir regras, obrigações e deveres. Não o fazendo nem respeitando, perdem muito do conceito de humanidade. 

Dá que pensar, o assunto é sério, mas revela muito do que pode acontecer quando os Estados e seus governos descuram as regras a que devem obedecer a migração. Sem elas, recuamos e regredimos aos tempos das invasões bárbaras, em que vale tudo.

Guarda-redes de S. Marino

O Jorge Jesus é tão bom treinador quanto a dizer uns disparates. Ontem no rescaldo do Noruega - Portugal, para a Liga das Nações, a valoriza...

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