Sobre a relevância, ou não, da dita selecção francesa de futebol, no actual Mundial da modalidade, ter 23 dos seus 26 jogadores nascidos em França apesar da maioria serem negros ou magrebinos. Ou ainda, por 19 dos 26 jogadores da selecção marroquina terem nascido fora de Marrocos.
Para os puristas do nacionalismo, será, de facto, uma confusão. Apesar disso, creio que hoje em dia é irrelevante. Jogadores negros há em todas as selecções, mesmo na Suécia, Noruega e Suiça. Já suecos, noruegueses e suiços no Congo ou outro país africano, devem ser mais raros que ursos polares no Sara. É apenas o reflexo da mistura das raças e culturas nas sociedades, sobretudo ocidentais.
Parece-me, pois, uma falsa questão e apenas pode fazer confusão a alguns porque na essência o conceito de selecção nacional, de algum modo, reflectia as características intrínsecas da raça e cultura de cada país, o que já se perdeu há décadas. Por conseguinte, talvez o que esteja desajustado seja o termo selecção nacional. Invente-se outra designação e deixe-se cair o nacional (que, para além das bolachas) já deixou de ser bom.
Para além de tudo, o futebol, mesmo neste contexto mundial das ditas selecções, é apenas parte do negócio e este não se compadece com purismos raciais ou culturais. Veja-se, entre outras modalidades, o caso dos brasileiros em várias selecções nacionais de futsal. No atletismo, entre tantos exemplos, veja-se o caso do cubano Pedro Pychardo. Por conseguinte, isto de nacionalidades no desporto e o mérito dos países, tem que se lhe diga.”Everything is business”.
Mas, como disse alguém, o mundo começou a ficar “complicado” quando Portugal jogou, no Mundial de 1966, com quatro portugueses africanos, todos nascidos em Moçambique: Hilário, Vicente, Coluna e Eusébio. E, como respondi, com este frenesim de ajuste de contas com a história que por aí anda, ainda acabaremos por ser responsabilizados por abrir a caixa de Pandora.
O mundo está mesmo um jardim de florzinhas de cheiro, que tremelicam por tudo e nada.
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