Para quem trabalha, as férias são sempre desejadas, sabem a pouco e, em teoria, servem para retemperar forças, aliviar o stress e permitir o regresso ao trabalho com mais energia.
Não obstante, neste nosso singular país, parece que o período de férias é, afinal, penoso e desgastante — uma azáfama constante que faz com que muitos portugueses, e em especial os professores, fiquem cansados e até doentes. Daí que, de acordo com as declarações do Ministro da Educação no arranque do novo ano escolar, tenham sido mais de dois mil os docentes a apresentar atestado médico para adiar o recomeço da atividade. Pouca coisa.
A FENPROF, estrutura representativa da classe, terá justificado que tais dados não significam que os professores sejam mais preguiçosos ou doentes do que os restantes trabalhadores. Talvez, mas fica a suspeita. Não parece de todo normal um volume tão elevado de baixas a coincidir precisamente com o fim do descanso e o início do ano lectivo. Se ocorresse durante o inverno, em pleno surto de gripes e constipações, compreender-se-ia; contudo, após dias de praia, viagens — porventura ao outro lado do mundo —, farras e jantares, torna-se difícil de aceitar.
É o quadro habitual: o funcionalismo público na sua máxima expressão, a perturbar o funcionamento da engrenagem quando assim o entende, seja por via de greves, manifestações ou atestados médicos.
Sempre a aprender com os professores.
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