Insectos, aves, répteis, toda a espécie de mamíferos e até peixes constroem os seus ninhos, tocas e redutos para descansar, proteger-se e criar a descendência. Já o ser humano parece ser a única espécie que considera ter direito à habitação por decreto ou pela Constituição.
É certo que alguns animais, como os cucos, oportunistas por natureza, ocupam o ninho de outras aves, lá depositando os seus ovos. Os filhotes acabam por eliminar os legítimos proprietários, apropriando-se do espaço e consumindo os recursos dos pais "adoptivos".
Da mesma forma, muitas pessoas parecem partilhar deste desígnio: pretender ocupar o que, com mais ou menos esforço, foi edificado por outros. Veem-se por aí grupos, com maior ou menor mistura de extremistas e arruaceiros, incentivados por partidos a quem interessa a anarquia e a contestação à legitimidade democrática emanada do voto popular. Reclamam o "direito à habitação" não apenas na perspectiva de a adquirir pelo próprio esforço, mas na expectativa de que esta caia do céu, ou oferecida pelo Estado, ou seja, suportada por todos os contribuintes, sobretudo aqueles que cumprem as suas obrigações fiscais, incluindo o pagamento do IMI, que nada mais é do que uma renda paga ao Estado pela própria casa, esta já realizada com uma carga de impostos e taxas.
Resta saber até quando os portugueses que trabalham, poupam e pagam impostos aceitarão continuar a financiar o ninho alheio enquanto sustentam o seu. Porque quando o Estado passa a premiar a exigência na praça pública em detrimento do esforço, deixa de garantir direitos para passar a patrocinar a espoliação de quem produz.
Que o Estado possa ajudar a fornecer a cana e o anzol, de acordo; Já oferecer o pixe servido na travessa é que não. Enquanto isso, com todos os holofotes da canhota comunicação social, as praças vão-se ocupando de cucos a reclamar do ninho dos outros ou de outras aves exóticas e canoras que já tendo ninho consideram justa a causa dos cucos..
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