05 novembro, 2026

Aves raras

Já o escrevi e repito: as manifestações que têm marcado os últimos dias transformaram-se num circo mediático. Terminarão quando a comunicação social, sobretudo as televisões, deixarem de dar palco e tempo de antena aos manifestantes — aos legítimos e pacíficos, bem como aos arruaceiros, aos gedelhudos e ganzados, que fazem das manifestações um modo de vida. Duvido que nelas façam algo de útil a si próprios e à sociedade. Mas, ok, se é circo, faz sentido que haja palhaços, malabaristas, trapezistas e aves raras.

Claro que a moda vai acabar por se extinguir; basta que comece a cair geada e venha uma chuvinha, mas sobretudo quando as televisões mudarem o foco para qualquer outro tema. Por enquanto, estão por lá as tendas, mesmo que na realidade os "moradores" prefiram ir dormir no quentinho em qualquer outro lado. Isto de sacrifícios nas manifestações não é para todos.

Em todo o caso, é da física que para cada ação há uma reação: assim, as manifestações e os acampamentos têm revitalizado a indústria que fabrica as tendas. Por outro lado, o Bloco de Esquerda, que no Parlamento é uma força de um homem só e que pelo regimento pode falar apenas uns poucos segundos, ali, nas praças, tem tido neste cenário de campismo todo o tempo do mundo. Basta aparecer e logo as televisões lhe concedem tempo de antena quanto baste. É à fartazana!

Quando pelo voto popular e democrático pouco ou nada representam, nestes parlamentos populares apresentam-se a falar em nome de todos os portugueses como se na casa da democracia. 

Fale em nome de quem quiser, mas por mim não o autorizo a tal. Era só que faltava!

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