No contexto das trapalhadas dos ministros da Educação e Administração Interna:
O que me preocupa nisto tudo, é olhar para cima e para baixo, para a esquerda e para a direita, e no nosso panorama político não ver quem quer que seja que possa ser uma alternativa séria e que se rodeie de virgens, abstémios e celibatários no que toca a incumprimentos, do mais substancial ao mais lingrinhas, como não ter declarado à autoridade de transparência quantos pastéis de bacalhau tem no congelador. Pelo que se vai vendo, mesmo os tidos como mais competentes, eles ou as santas esposas e benquistos filhos, têm engulhos e telhados de vidro, amigos não rocomendáveis, tanques e marquises sem licença.
Eu, que pela minha ocupação profissional, que até sei que um edifício com cinco pisos, sede de uma das maiores empresas deste país, está edificada e em utilização há dezenas de anos, alterada no projecto e sem título de utilização, e centenas de outros casos similares, só cá na zona, no panorama urbanístico, espanto-me que um secretátio de Estado ou ministro possa perder o lastro de reconhecida competência por questões que, se bem espremidas, não passam de lana-caprina, mas bidões de gasolina para os incendiários da comunicação social e políticos do lado oposto da barricada.
Mas disse, no início, que me preocupa, mas, pensando melhor, não me preocupo de todo. Nunca votei com entusiasmo, e jà à esquerda, ao centro e à direita, mas é ponto assente que para mim terminou esta tradição inútil de fazer a cruzinha à frente de uma sigla ou de um rosto. Qualquer um serve, porque na certeza de que para melhor está bem, está bem, para pior já basta assim. Significa que, de um modo ou outro, estamos, de há muito, e continuaremos a estar, entregues à bicharada.
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