03 agosto, 2026

Seres humanos, certamente, mas não só

Não há muito a dizer sobre a invasão de Ceuta. Para além das dezenas de mortes de quem agiu por sua conta a risco, o caso serviu para mostrar que é possível uma invasão, com base em aspirações legítimas, o querer procurar melhores condições de vida, mas de modo ilegal e contra todas as regras que devem pautar a emigração. 

Certamente que este caso, como outros, teve a mão de redes criminosas e a conivência das autoridades de Marrocos, mas assente  na venda de uma ideia a toda aquela gente, a de quem em Espanha e em Portugal é fácil entrar e viver, e onde a ilegalidade acaba por ser relevada. Ou seja, o objectivo é chegar a esses países e logo se verá, mas no geral, mesmo que sem condições básicas de integração, acabarão por fazer parte da população, mesmo que à frente todos pareçam ficar surpreendidos (como em Portugal) com os números apresentados pelo INE.

O presidente António José Seguro referiu-se a essa horda de invasores, como "seres humanos". Com certeza que sim, e percebemos o teor humanista das suas declarações, mas os "seres humanos", sobretudo por essa condição, têm de cumprir regras, obrigações e deveres. Não o fazendo nem respeitando, perdem muito do conceito de humanidade. 

Dá que pensar, o assunto é sério, mas revela muito do que pode acontecer quando os Estados e seus governos descuram as regras a que devem obedecer a migração. Sem elas, recuamos e regredimos aos tempos das invasões bárbaras, em que vale tudo.

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